Voltei, Recife, foi a saudade que me trouxe pelo braço

Alceu "invade" o tributo a ele

Prometi escrever sobre o carnaval pernambucano e não tive tempo antes. Mas agora acho que vai, aos poucos…

Bem, resumindo, foi uma loucura. Era tanta coisa pra fazer que eu, na ânsia de aproveitar o máximo, quase não dormia. No estado inteiro, são 22 pólos de carnaval implantados pelo governo do estado. Em Recife, 18, organizados pela prefeitura.

Este ano, os grandes homenageados eram Alceu Valença, que comemora 40 anos de carreira, e o artista plástico João Cláudio. O que significa que as músicas de Alceu – e especialmente “Morena tropicana” – tocaram MUITO. Isso até rendeu uma história engraçada de bastidores da cobertura, que mais pra frente eu conto.

Cheguei sexta-feira em Recife e, na mesma noite, eu e outros jornalistas fomos pro Marco Zero do Recife assistir ao tributo a Alceu. O show reuniu sete artistas interpretando músicas dele: Ney Matogrosso, Criolo, Pitty, Karina Buhr e os pernambucanos Otto, Lenine, Lirinha (ex-Cordel do Fogo Encantado).

A apresentação teve direção musical de Pupillo, baterista da Nação Zumbi, que criou novos arranjos para as músicas com a banda formada por Fernando Catatau (guitarra), Rian Batista (baixo) e Regis Damasceno (guitarra), todos do Cidadão Instigado; Daniel Ganjaman (teclado), do coletivo paulista Instituto; Toca Ogan (percussionista da Nação Zumbi), além do próprio Pupillo na bateria.

Lenine cantou "Sol e chuva"

Além de ter inovado na hora de escolher os participantes do tributo, Pupillo criou arranjos completamente diferentes dos originais: “Morena tropicana”, por exemplo, cantada por Criolo, virou um pancadão. “Vi que era a oportunidade da minha geração estabelecer contato com a obra de Alceu. Fora o Ney Matogrosso, são pessoas da minha turma. Não chamei pessoas que fazem parte da história do Alceu, como Elba e Zé Ramalho, porque queria fazer algo um pouco inusitado. E todas as pessoas que participaram têm alguma ligação com a obra do Alceu”, explica Pupillo. “Quis fazer uma rápida viagem cronológica pela obra dele. Tentamos imprimir a nossa marca. A gente deu uma cara nova, até para mostrar como ele tem a ver com as novas gerações”, contou ele a mim, na matéria que foi publicada no jornal O DIA.

“Estou emocionado com essa homenagem”, disse Alceu, que não estava previsto para participar do show, mas no fim subiu ao palco ao lado de Otto e cantou com o conterrâneo “Coração bobo” e, sozinho, mais duas músicas: “Belle de jour” e “Pelas ruas que andei”.

“É muito importante fazer essa homenagem num momento vigoroso do cara. Sempre se faz algo quando o artista está velhinho ou já morreu”, observa Lenine, que interpretou um pot-pourri de “Anjo de fogo” e “Maria dos Santos” e mais “Sol e chuva”. “O Alceu teve influência na carreira de todos ali, de um jeito ou de outro. Ele povoa a cabeça de todos os que estiveram ali, cantando ou assistindo”, diz.

Ney foi muito aplaudido

“Alceu é o elo de Gonzaga e Jackson do Pandeiro, ele foi apadrinhado pelos dois mitos e ao mesmo tempo sempre foi um cara muito moderno. Caetano e Gil apareceram e a gente (de Pernambuco) tinha Alceu. A gente viu quão grande ele é e o quanto ele foi importante para nós”, analisa Otto. “E o melhor é que ele está vivo, ativo, não aguentou e subiu no palco para cantar também”.

P.S. E, assim, depois de escutar “Tropicana” tantas vezes por dias seguidos, finalmente entendi que se canta “linda morena/fruta de vez temporana”

É de fazer chorar

…Ó, quarta-feira ingrata, chega tão depressa só pra contrariar.

Meu carnaval não teve marchinha nem bloco temático: teve foi frevo, maracatu, rock e até carimbó. Fui pra Recife e quase não dormi tentando aproveitar ao máximo a extensa e diversa programação de lá nesta época. Aos poucos, pretendo ir postando aqui o que rolou de melhor. Um dos pontos altos foi a apresentação de maracatu rural em Nazaré da Mata, na Zona da Mata de Pernambuco (onde foi tirada a foto lá no alto, do personagem caboclo-de-lança).

Social Widgets powered by AB-WebLog.com.