Desencontro

Ele, durante algum tempo, foi o grande amor da minha vida. Éramos tão apaixonados que, quando terminamos, os amigos – os meus e os dele – diziam: “Daqui a pouco vocês voltam.”

Não voltamos. Passei a fugir dele quando nos encontrávamos. Quando sabemos que não vamos resistir a alguém, às vezes o melhor é fugir. E era o que eu fazia.

Um tempo depois, sabe-se lá por quê, conversávamos na internet, quando eu falei, cheia de mágoa, que a música que me lembrava ele era “Trocando em miúdos”, do Chico Buarque.

Ele disse: “Pois a que me lembra você é essa aqui”. E me mandou uma mp3.

Eu, que desde a adolescência já era muito fã do Chico Buarque (sou até hoje), nunca tinha prestado muita atenção em “Desencontro”. É a canção mais bonita que alguém pode mandar a um ex-amor que se guarda com carinho (com mágoa, a melhor é “Detalhes”, do Roberto Carlos).

Fiquei desconcertada – pela letra da música, que mostrava uma nobreza de sentimentos por parte dele que eu não tinha, e pelo fato dele conhecê-la: quando começamos a namorar, ele não sabia nada de música brasileira. Por minha causa, passou a ouvir.

Logo que terminamos, ele namorou uma menina que muita gente confundia comigo. Sempre tivemos uma espécie de conexão forte, uma intimidade rara: ele, que era muito fechado, sempre desabafava comigo, por menor que fosse nosso contato. Com o tempo, vieram outros amores, algumas paixonites, muitas trilhas sonoras – pra mim e, tenho certeza, pra ele também.

Há algum tempo não sei dele, mas de vez em quando me lembro dessa história e da lição que isso me deixou: às vezes, mesmo quando os dois lados se gostam, pode ser que eles não fiquem juntos.  O que é um grande desperdício.

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