Universo musical além do samba

Quando começou a aparecer na mídia, João Cavalcanti era o filho do Lenine. Onze anos depois, ele é o vocalista do Casuarina, grupo de destaque na cena de samba que ajudou a revitalizar a Lapa. E agora ele prova que é tudo isso e mais ainda, com o lançamento de seu primeiro disco solo, ‘Placebo’, que apresenta amanhã no Studio RJ. No CD, ele reúne canções de estilos diversos — e só um samba.
“Eu nunca idealizei lançar um disco. O que num momento eu entendi é que eu não conseguiria negligenciar essas outras músicas que eu faço. Se tornou uma urgência que eu desse voz a essas músicas que não se encaixam no Casuarina”, explica João, que pretende dar continuidade à carreira solo. “Eu sempre disse: ‘Não me diga que sou sambista.’ Eu ouço de tudo”.
Os fãs do Casuarina, no entanto, não precisam se preocupar: o grupo segue firme e forte. “Não vi, não vejo e dificilmente verei motivo para abrir mão do Casuarina”, garante ele.
Compositor gravado por Roberta Sá, Tiê (com quem tem uma parceria) e Antônia Adnet, no CD, produzido por Plínio Profeta, ele contou com as participações de músicos como Davi Moraes, Humberto Barros, e Alfredo Del-Penho, entre outros. “É uma delícia fazer parte de uma geração tão talentosa e ter trânsito entre pessoas de tantos grupos”.
E toda a segurança conquistada nos palcos nos 11 anos de carreira tem dado lugar a um sentimento que já não fazia parte do dia a dia de João. “Se eu disser qualquer coisa diferente de medo e ansiedade é mentira. É o que dá, tudo concentrado nesse show, e é o que motiva. Se eu não tivesse esse ‘Polo Norte’ na barriga nessa semana, não faria sentido. Não tem outra saída, e que seja assim pelo resto da vida”, garante o músico.

(matéria publicada hoje no jornal O Dia)

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