Trilha sonora da fábula de Cris Braun

Ela conheceu a estrutura das grandes gravadoras com o grupo Sex Beatles, do qual era vocalista e que teve dois discos lançados nos anos 90, caindo nas graças de nomes como Marina e Renato Russo. Desde 1997, no entanto, quando abraçou a carreira solo, a cantora e compositora Cris Braun segue independente. Sem pressa, de mansinho, ela chega agora ao terceiro CD, o delicado e cheio de detalhes ‘Fábula’.

A gaúcha — que chegou semana passada aos 50 anos — viveu no Rio de 1980 a 2005, quando voltou para Maceió, onde havia morado na adolescência. É de lá a banda que vai acompanhá-la na turnê que inicia mês que vem, Os Fabulosos: Aldo Jones e Eduardo Bahia (guitarras), Dinho Zampier (teclados) e Fernando Coelho (bateria). No Rio, se juntam a eles Billy Brandão (guitarra) e Pedro Ivo Euzébio (programações e guitarra), os produtores de ‘Fábula’. “Quero ser banda, chega de solo. Tô preparando o terreno. Vamos tentar andar por esse mundão”, diz.

O primeiro trabalho de Cris fora do Sex Beatles, ‘Cuidado com Pessoas Como Eu’, saiu em 1997. Foram sete anos até o disco seguinte, ‘Atemporal’. E agora mais oito até chegar ao novo álbum. “Entre um CD e outro, eu vivi, observei, cozinhei, amei, desamei, joguei tênis… e isso tudo pensando no disco que estava fazendo. Gerúndio de verdade. Sempre estive ‘fazendo’ os discos que finalmente fiz”, garante Cris.

“Tive um projeto com Marcos Kuska Cunha e Billy Brandão, o Combo Man, entre o primeiro e o segundo disco. Também tem o fato de ser entre amigos, onde dependíamos do tempo de cada um, da verba pouca, o meu tempo de conceber, que é lento. Uma conjunção de fatores que, no fim das contas, acho positivo, no meu caso. Meus discos são muito trabalhados”, conta.

Para ela, ‘Fábula’ foi o mais difícil dos três. “Tinha uma canção e a ideia duma historinha. A trilha de um filme inexistente. A trajetória encurtada da vida de um ser humano contemporâneo urbano”, explica. “O repertório foi uma espécie de quebra-cabeças. O cantor Wado e o poeta Fernando Fiúza, meu amigo e parceiro, foram importantes nesse processo. Gravei duas músicas de cada um”, resume.

Entre as 11 faixas, há ainda uma parceria do ex-Sex Beatles Alvin L. e Marina Lima (‘Deve Ser Assim’), uma dos alagoanos Júnior Almeida e Zé Paulo (‘Memória da Flor’, com participação de Celso Fonseca) e ainda uma de Lucas Santtana e Quito Ribeiro (‘Tanto Faz Para o Amor’), além de músicas da própria Cris, sozinha ou em parceria.

Com música em novela, Lia Sophia comemora

Tema de Valéria (Andréia Horta) em ‘Amor Eterno Amor’, novela das seis da Globo, a música ‘Ai Menina’ chamou a atenção para a cantora, compositora e instrumentista Lia Sophia. Um dos nomes de destaque na atual cena musical do Pará, aos 34 anos a cantora colhe os frutos do bom momento que vive o estado e prepara novo álbum, com lançamento previsto para este ano.

“A novela dá uma visibilidade enorme, a gente não tem noção. Comecei a receber mensagens de todo o Brasil, convites para shows”, comemora Lia. “O interesse pelo Pará está sendo incrível. Tudo o que o artista deseja é mostrar seu trabalho para o maior número de pessoas. E agora esse perfume do Pará que a gente quer trazer vem tendo espaço, atraindo interesse”, conta.

Em breve, ela aparece no ‘Som Brasil’ especial do soul brasileiro cantando ‘Noite do Prazer’ ao lado de Claudio Zolli. E também foi convidada por Gaby Amarantos para comporem juntas algumas músicas para as Empreguetes, grupo fictício da novela das sete, ‘Cheias de Charme’. “Enviamos três músicas (que ainda não foram ao ar). A nossa levada foi o tecnobrega”, explica.

Mas, antes de chegar a esse momento promissor, Lia Sophia teve um começo de carreira inusitado: seu primeiro trabalho como cantora foi num prostíbulo. “Só descobri isso quando cheguei lá, mas as gorjetas eram tão boas que fui ficando, achando que ficaria rica”, diverte-se ela. “O acordo era que a dona do lugar não deixasse que os clientes me confundissem com uma garota de programa e tudo ia ficar bem”, diz.

A cantora lembra que os clientes pediam para ela as músicas mais diversas. “Hino de clube de futebol, samba-enredo, sertanejo… e eu cantava”, enumera. No entanto, como as gorjetas eram altas, o olho da dona da casa cresceu. “Ela queria me taxar em 20%. Depois, não queria nem mais pagar o cachê de R$ 50, e acabei saindo de lá”, lembra.

Atualmente, Lia — que nasceu na Guiana Francesa, se mudou aos 3 anos para o Amapá e há 15 vive em Belém — prepara seu quarto disco, que deve levar seu nome e tem produção de Carlos Eduardo Miranda (que assina a direção musical do ‘Treme’ de Gaby Amarantos). “Tenho três trabalhos anteriores (‘Livre’, de 2005; ‘Castelo de Luz’, de 2009, e ‘Amor Amor’, de 2011), mas só foram divulgados regionalmente. Vai ser o primeiro disco com lançamento nacional”, diz. “Vou gravar um monte de gente do Pará, acabo ganhando eu e outros artistas”, adianta.

(matéria publicada hoje no jornal O Dia)

Moraes Moreira e Davi Moraes celebram no palco do Circo Voador os 40 anos do álbum ‘Acabou Chorare’

Moraes Moreira e Davi Moraes

Vai ser difícil sair do show para comprar a cervejinha. Isso porque ‘Acabou Chorare’, disco dos Novos Baianos que Moraes Moreira apresenta ao lado do filho Davi amanhã, no Circo Voador, é daqueles para ouvir sem pular uma única faixa. O show, que comemora os 40 anos de lançamento desse clássico da música brasileira, chega ao Circo depois de duas apresentações lotadas, no Instituto Moreira Salles e no Studio RJ, além de ter passado por outras cidades  do País.

“É uma alegria poder comemorar esse disco que é tão celebrado, está tendo uma permanência muito grande, passando de geração para geração, a meninada cantando junto, dizendo que queria ter vivido nossa época. É uma paixão, eles cantam tudo, é emocionante”, comemora Moraes Moreira. “Quando a gente começou com o projeto, esperava uma resposta bacana, mas foi além do que imaginávamos”, completa Davi.

Quando ‘Acabou Chorare’ foi lançado, em 1972, os integrantes do grupo (que, além de Moraes, incluía Pepeu Gomes, Baby Consuelo, Paulinho Boca de Cantor, Luiz Galvão e Dadi) viviam todos juntos em um sítio em Jacarepaguá. Nascido um ano depois, o próprio Davi é um desses jovens que se contagiaram pela mágica do álbum.

“Só vivi no sítio até uns 3 anos de idade, não tenho lembrança de lá. Pude sentir mais como era a vida deles quando fui conhecendo melhor a história, tendo acesso aos vídeos, de conversar com meu pai, Dadi, Pepeu. Fui entendendo que o fato deles morarem juntos tem muito a ver com o clima mágico, especial, a química incrível que resultou nesses discos tão importantes que tantas pessoas curtiram”, diz o guitarrista.

JOÃO GILBERTO FOI CRUCIAL

É verdade: se no sítio o clima era de farra, entre infinitas partidas de futebol e muita fumaça, a excelência musical dos Novos Baianos — que pode ser comprovada no clássico disco —, era resultado, também, dessa convivência tão intensa: eles ensaiavam o tempo todo. “Na hora de se dedicar, a gente virava leão, tocava tudo certo, com os instrumentos todos afinados, numa época em que não tinha nem afinador. Por isso a gente tem esse disco tão premiado, tão elogiado”, afirma Moraes.

Entre as tantas histórias em torno do álbum — e Moraes conta algumas dia 26, no Miranda, no projeto ‘Grandes Nomes, Grandes Discos’ —, está a amizade com João Gilberto, que foi crucial para a história dos Novos Baianos e para que ‘Acabou Chorare’ fosse como é: um marco na música brasileira.

“João deu o toque final que faltava para a gente: chamar a brasilidade que existia dentro de nós, fazer a gente ter orgulho do Brasil, ver que o Brasil era bonito. O País estava triste com a ditadura. Ele cantou ‘Chegou a hora dessa gente bronzeada mostrar seu valor’ (verso de ‘Brasil Pandeiro’, de Assis Valente, que abre o disco) e foi a senha para entendermos nossa missão”, explica Moraes.

Dessa amizade também veio o nome do trabalho. Certa vez, a filha de João, Bebel Gilberto, levou um tombo e terminou batizando o álbum. “Ela misturava português com espanhol, porque tinha morado no México. Caiu e o João saiu preocupado para pegá-la. Aí a Bebel: ‘Não, papai, acabou chorare’”, lembra Moraes.

Além de tocar as nove faixas do álbum, no show Moraes declama trechos de ‘A História dos Novos Baianos em Cordel e Outros Versos’, de autoria dele, e lembra sucessos de sua carreira solo. Ele gostou tanto da ideia de tocar todas as faixas de um trabalho que pretende repetir a experiência. “Quero fazer o show do disco ‘Novos Baianos F.C.’”, adianta, para nossa alegria.

PAI E FILHO COM DISCOS NOVOS

Parceiros no show, pai e filho repetem a dobradinha no próximo CD de Moraes Moreira, ‘A Revolta dos Ritmos’, que sai dia 19 (terça-feira) e terá show de lançamento no Rio em julho.

“Eu e Davi somos parceiros desde que ele era pequeno. Ele me ensina demais, me renova”, elogia Moraes. “Admiro a personalidade, a assinatura que o meu pai imprime em tudo o que ele faz. Isso me inspirou a procurar a minha identidade”, devolve Davi.

No novo trabalho, Moraes segue a receita de brasilidade iniciada nos Novos Baianos. “Eu ia fazer um disco só de samba, mas aí o xote deu pinote, o rock me deu um choque, o maracatu me chamou cafona, a ciranda chegou fazendo a ronda. Ficou um disco variadíssimo”, brinca Moraes.

Davi também planeja um novo disco, seu terceiro solo, para 2012, e se prepara para outra novidade em sua vida: ele vai ser pai. Sua mulher, a cantora Maria Rita, está grávida. “Gostei muito de ter nascido num ambiente musical, espero que ele goste também, independentemente de ser músico ou não”, diz o guitarrista.

(matéria publicada hoje no jornal O Dia)

Desencontro

Ele, durante algum tempo, foi o grande amor da minha vida. Éramos tão apaixonados que, quando terminamos, os amigos – os meus e os dele – diziam: “Daqui a pouco vocês voltam.”

Não voltamos. Passei a fugir dele quando nos encontrávamos. Quando sabemos que não vamos resistir a alguém, às vezes o melhor é fugir. E era o que eu fazia.

Um tempo depois, sabe-se lá por quê, conversávamos na internet, quando eu falei, cheia de mágoa, que a música que me lembrava ele era “Trocando em miúdos”, do Chico Buarque.

Ele disse: “Pois a que me lembra você é essa aqui”. E me mandou uma mp3.

Eu, que desde a adolescência já era muito fã do Chico Buarque (sou até hoje), nunca tinha prestado muita atenção em “Desencontro”. É a canção mais bonita que alguém pode mandar a um ex-amor que se guarda com carinho (com mágoa, a melhor é “Detalhes”, do Roberto Carlos).

Fiquei desconcertada – pela letra da música, que mostrava uma nobreza de sentimentos por parte dele que eu não tinha, e pelo fato dele conhecê-la: quando começamos a namorar, ele não sabia nada de música brasileira. Por minha causa, passou a ouvir.

Logo que terminamos, ele namorou uma menina que muita gente confundia comigo. Sempre tivemos uma espécie de conexão forte, uma intimidade rara: ele, que era muito fechado, sempre desabafava comigo, por menor que fosse nosso contato. Com o tempo, vieram outros amores, algumas paixonites, muitas trilhas sonoras – pra mim e, tenho certeza, pra ele também.

Há algum tempo não sei dele, mas de vez em quando me lembro dessa história e da lição que isso me deixou: às vezes, mesmo quando os dois lados se gostam, pode ser que eles não fiquem juntos.  O que é um grande desperdício.

‘Arrocha’, o novo disco de Curumin

Uma delícia o novo CD do Curumin, Arrocha. O disco vazou no fim de abril, mas só agora ouvi inteiro. O sucessor de Japan Pop Show (2008) é o segundo álbum do artista e tem participações de Marcelo Jeneci, Guizado e Céu, entre outros.

Já tem pra download aqui e em streaming aqui, os dois disponibilizados pelo próprio artista. Uma das minhas faixas preferidas:

Para onde irá essa noite

Novo clipe do Lucas Santtana, dirigido pelo querido Emílio Domingos.  Bela música, belo vídeo.

A faixa é parte do disco mais recente de Lucas, O Deus Que Devasta Mas Também Cura.

‘Somos como strippers: só nos divertimos se o público gosta’