Moraes Moreira e Davi Moraes celebram no palco do Circo Voador os 40 anos do álbum ‘Acabou Chorare’

Moraes Moreira e Davi Moraes

Vai ser difícil sair do show para comprar a cervejinha. Isso porque ‘Acabou Chorare’, disco dos Novos Baianos que Moraes Moreira apresenta ao lado do filho Davi amanhã, no Circo Voador, é daqueles para ouvir sem pular uma única faixa. O show, que comemora os 40 anos de lançamento desse clássico da música brasileira, chega ao Circo depois de duas apresentações lotadas, no Instituto Moreira Salles e no Studio RJ, além de ter passado por outras cidades  do País.

“É uma alegria poder comemorar esse disco que é tão celebrado, está tendo uma permanência muito grande, passando de geração para geração, a meninada cantando junto, dizendo que queria ter vivido nossa época. É uma paixão, eles cantam tudo, é emocionante”, comemora Moraes Moreira. “Quando a gente começou com o projeto, esperava uma resposta bacana, mas foi além do que imaginávamos”, completa Davi.

Quando ‘Acabou Chorare’ foi lançado, em 1972, os integrantes do grupo (que, além de Moraes, incluía Pepeu Gomes, Baby Consuelo, Paulinho Boca de Cantor, Luiz Galvão e Dadi) viviam todos juntos em um sítio em Jacarepaguá. Nascido um ano depois, o próprio Davi é um desses jovens que se contagiaram pela mágica do álbum.

“Só vivi no sítio até uns 3 anos de idade, não tenho lembrança de lá. Pude sentir mais como era a vida deles quando fui conhecendo melhor a história, tendo acesso aos vídeos, de conversar com meu pai, Dadi, Pepeu. Fui entendendo que o fato deles morarem juntos tem muito a ver com o clima mágico, especial, a química incrível que resultou nesses discos tão importantes que tantas pessoas curtiram”, diz o guitarrista.

JOÃO GILBERTO FOI CRUCIAL

É verdade: se no sítio o clima era de farra, entre infinitas partidas de futebol e muita fumaça, a excelência musical dos Novos Baianos — que pode ser comprovada no clássico disco —, era resultado, também, dessa convivência tão intensa: eles ensaiavam o tempo todo. “Na hora de se dedicar, a gente virava leão, tocava tudo certo, com os instrumentos todos afinados, numa época em que não tinha nem afinador. Por isso a gente tem esse disco tão premiado, tão elogiado”, afirma Moraes.

Entre as tantas histórias em torno do álbum — e Moraes conta algumas dia 26, no Miranda, no projeto ‘Grandes Nomes, Grandes Discos’ —, está a amizade com João Gilberto, que foi crucial para a história dos Novos Baianos e para que ‘Acabou Chorare’ fosse como é: um marco na música brasileira.

“João deu o toque final que faltava para a gente: chamar a brasilidade que existia dentro de nós, fazer a gente ter orgulho do Brasil, ver que o Brasil era bonito. O País estava triste com a ditadura. Ele cantou ‘Chegou a hora dessa gente bronzeada mostrar seu valor’ (verso de ‘Brasil Pandeiro’, de Assis Valente, que abre o disco) e foi a senha para entendermos nossa missão”, explica Moraes.

Dessa amizade também veio o nome do trabalho. Certa vez, a filha de João, Bebel Gilberto, levou um tombo e terminou batizando o álbum. “Ela misturava português com espanhol, porque tinha morado no México. Caiu e o João saiu preocupado para pegá-la. Aí a Bebel: ‘Não, papai, acabou chorare’”, lembra Moraes.

Além de tocar as nove faixas do álbum, no show Moraes declama trechos de ‘A História dos Novos Baianos em Cordel e Outros Versos’, de autoria dele, e lembra sucessos de sua carreira solo. Ele gostou tanto da ideia de tocar todas as faixas de um trabalho que pretende repetir a experiência. “Quero fazer o show do disco ‘Novos Baianos F.C.’”, adianta, para nossa alegria.

PAI E FILHO COM DISCOS NOVOS

Parceiros no show, pai e filho repetem a dobradinha no próximo CD de Moraes Moreira, ‘A Revolta dos Ritmos’, que sai dia 19 (terça-feira) e terá show de lançamento no Rio em julho.

“Eu e Davi somos parceiros desde que ele era pequeno. Ele me ensina demais, me renova”, elogia Moraes. “Admiro a personalidade, a assinatura que o meu pai imprime em tudo o que ele faz. Isso me inspirou a procurar a minha identidade”, devolve Davi.

No novo trabalho, Moraes segue a receita de brasilidade iniciada nos Novos Baianos. “Eu ia fazer um disco só de samba, mas aí o xote deu pinote, o rock me deu um choque, o maracatu me chamou cafona, a ciranda chegou fazendo a ronda. Ficou um disco variadíssimo”, brinca Moraes.

Davi também planeja um novo disco, seu terceiro solo, para 2012, e se prepara para outra novidade em sua vida: ele vai ser pai. Sua mulher, a cantora Maria Rita, está grávida. “Gostei muito de ter nascido num ambiente musical, espero que ele goste também, independentemente de ser músico ou não”, diz o guitarrista.

(matéria publicada hoje no jornal O Dia)

Leave a Reply

Your email address will not be published. Required fields are marked *

Social Widgets powered by AB-WebLog.com.