Viagens de Céu acabam em música

Ela não estourou no País inteiro, mas chegou a ter músicas em trilha de novela e é considerada uma das principais cantoras de sua geração. Aos 31 anos e com uma década de estrada, a paulistana Céu construiu carreira sólida o suficiente para passar boa parte do seu tempo em turnês pelo Brasil e pelo exterior. Daí veio a inspiração para seu terceiro CD, ‘Caravana Sereia Bloom’, que chega às lojas esta semana.

“Fiz muitos shows pelo Brasil e lá fora. O disco é resultado disso, de tantas viagens e turnês. É bastante temático em torno da estrada”, conta Céu. “Viajei também por outros aspectos: na fronteira com a América Latina, por exemplo, eu queria investigar como o Brasil se funde com a entrada da música latina, a cumbia, a lambada, o carimbó, brega, como isso chega aqui”, diz ela.

A estrada, aliás, nos últimos tempos, ganhou outra perspectiva, com a chegada de Rosa, hoje com 3 anos. “Viajar tanto é intenso, é uma saída constante da zona de conforto para um lugar que é sempre um mistério. Ainda mais sendo mãe. Sou uma pessoa normal, pego minha filha na escola, vou ao supermercado. Viajar é como uma vida maluca dentro de uma normal”, acredita.

Com uma beleza que se destaca, Céu se diz “vaidosa como muitas” e fica sem graça ao falar sobre o assunto. “Isso ajuda e também atrapalha, muitas vezes…”, diz, reticente. Mas atrapalha como? “Talvez no primeiro disco fosse uma coisa a mais para lidar”, arrisca.

Produzido por ela e Gui Amabis, seu marido, o disco traz a participação de músicos como Curumin, Fernando Catatau (do Cidadão Instigado), Lúcio Maia, Dengue e Pupillo (os três da Nação Zumbi).

“É uma geração muito colaborativa, muito próxima, no sentido de quebrar o galho, participar”, reconhece. “É uma trama que vai se fazendo, eu já toquei no disco da Anelis (Assumpção), do Guizado, tenho o 3 Na Massa…”, exemplifica ela, que ainda contou com a participação do pai, Edgard Poças, na regravação de ‘Palhaço’, de Nelson Cavaquinho.

(matéria publicada hoje no jornal O Dia)

Adele canta ‘Baby, It’s You’

Ótima versão da música de Burt Bacharach, que já foi gravada pelas Shirelles e os Beatles.

Tulipa Ruiz e o clipe de ‘Sushi’

Saiu hoje o clipe de “Sushi”, da Tulipa Ruiz. Dirigido por Leandra Leal, o vídeo traz o casal de atores Tainá Müller e Júlio Andrade. Fofinho!

‘Quando o chifre dói, o diploma cai da parede’

Maravilhoso o depoimento que o Reginaldo Rossi me deu sobre a morte do Wando, publicado hoje no jornal O Dia:

Um ídolo chamado Wando

O bom cantor é aquele de quem o povo canta as músicas. O bom compositor, também. Assim era o Wando: o Brasil perdeu um ótimo compositor, porque o povo cantou diversas músicas dele, e um ótimo cantor, porque o povo se divertia, sorria nos shows dele. E era um cidadão de bem, porque ninguém ouviu falar de Wando com falcatruas. Era leal, alegre, sincero, cumprimentava os amigos com beijos. Eu conhecia o Wando há anos. Nunca tivemos intimidade, mas trabalhamos juntos algumas vezes.

O que as músicas do Wando têm de melhor é o mesmo que tem nas minhas, nas do Roberto Carlos, do Zezé Di Camargo: são narrações de amores, incompreendidos ou compreendidos. Desde o começo do mundo, o tema forte foi e sempre será o amor, os encontros e desencontros. De vez em quando, fazem sucesso músicas para pular e rir, mas não é isso que fica. Há um ano, era “vou não, quero não, posso não”. Foi uma onda que passou. Agora tem “ai, se eu te pego…” O que é válido, porque o povo tem que divertir. Mas o que fica é: “Por que me arrasto aos seus pés? Por que me dou tanto assim?”. O que fica é: “É o amor / que mexe com minha cabeça e me deixa assim”. O que ele cantava, o que ele compunha, é o grande tema.

O Frank Sinatra cantava “just forgive me” (apenas me perdoe). Os franceses faziam um drama, “ne me quittes pas” (não me abandone). Por que só em português a música que fala de amor é brega, diminuta? Tem essa coisa hipócrita que a gente vive. Venho de escola superior, estudei Engenharia. A gente via filmes de Antonioni, Fellini, Bertolucci, mas o que a gente gostava mesmo era de John Wayne e a cavalaria. Quando o chifre dói, o diploma cai da parede.

São vidas de casais normais, toda a sociedade passa por isso: quando dá ciúme, o cara vai atrás da mulher para ver se ela foi mesmo para o dentista, a mulher vai atrás ver se ele foi mesmo jogar pôquer com os amigos. E quem faz isso é operário, gari, prefeito, desembargador, juiz.

Quando o cara morre, todo mundo se revela: “Ele era brega, mas ele era bacana”. Prefiro que digam isso enquanto estou vivo. Mas que o Wando teve reconhecimento em vida, teve sim: a TV o prestigiou, ele foi chamado a diversos programas, todo mundo conhecia as músicas dele. Fiz um CD chamado ‘O Melhor do Brega’, em que gravei ‘Fogo e Paixão’, que eu canto em todo show. É ótimo: você abre a boca e o povo canta junto. Você pode até desafinar, que ninguém ouve.

Faith No More, ‘Don’t Dream it’s Over’

Mike Patton canta o hit do Crowded House. Lindo!

 

Aqui em outro show:

Lembrando Wando

No dia da morte do cantor, aos 66 anos, alguns têm histórias pra contar sobre ele. Também tenho a minha. Que, na verdade, é do meu padrinho.

Nos anos 90, ele foi morar numa cobertura na Barra onde tinha como único vizinho de porta ninguém menos que o Wando. Ele dizia que era um entra e sai tão grande de mulher (ops) que, às vezes, tinha vontade de chegar pra alguma delas e falar: “Olha, o Wando tá ocupado agora, mas você não quer entrar aqui um pouco pra esperar…?”

Depois, o Wando foi em algum programa da Regina Casé e eu pude ver o apartamento por dentro: tinha cama redonda, espelho no teto etc. Figuraça.

Aqui, ele aparece cantando composição de Chico Anysio. “Toda mulher gosta de ser chamada de gostosa. Mas pra chamar de safada tem que ser na hora certa”, dizia Wando.

Polêmica do dia

Madonna…

 

…copiou João Brasil?

 

…ou Madonna copiou Nicola Roberts, que copiou João?

Adele no Brasil

E a cantora queridinha do momento, a inglesa Adele, deve vir ao Brasil no segundo semenstre. É o que diz o Estadão.

Dancinha da Elaine

Para fãs de Seinfeld.

A sonoridade da vida de um casal

Logo de cara, o nome do segundo disco da banda Letuce causa estranheza: o que seria ‘Manja Perene’? Obviamente era essa ideia da banda, encabeçada pelos namorados Letícia Novaes e Lucas Vasconcelos, que faz show de lançamento do CD hoje, no Solar de Botafogo.

Foto: Maíra Coelho / Agência O Dia

(foto:  Maíra Coelho/Agência O Dia)

“Sei que é um nome bizarro, teve gente que falou que é feio. Muitos veem conotação sexual (risos). Eu gosto de causar alguma coisa já no título”, conta Letícia. “O nome veio de um poema que eu fiz para o Lucas, que tinha a palavra ‘perene’. Eu queria explicar que significava ‘para sempre’. E o ‘manja’ é porque adoro gírias antigas”, explica, usando o verbo no sentido de ‘entende?’.

Da estreia do grupo, em 2008, até hoje, muita coisa mudou: o Letuce caiu nas graças da imprensa, estreou em CD com ‘Plano de Fuga pra Cima dos Outros e de Mim’ e só vê seu público aumentar. Uma coisa, no entanto, permanece a mesma: o amor ainda é a maior inspiração das músicas.

“Tentei fazer músicas quando não amava, elas não eram boas. Se as pessoas gostam das que faço agora que amo, isso significa alguma coisa”, analisa Letícia. “O primeiro disco era mais ligado à paixão. Agora, já estamos junto há cinco anos. Até o amor físico, o sexo, vira outra coisa. E é claro que isso se reflete nas músicas”. O processo rendeu faixas sugestivas, como ‘Anatomia Sexual’ e ‘Ninguém Muda Ninguém’.

Mudanças na vida da banda e na do casal, que em julho do ano passado foi morar junto. “Foi intenso. Fiquei meio maluca no início. Na mesma época em que a gente se mudou, gravou o disco”, lembra Letícia. “Trabalhar e morar junto pode dar uma saturada, mas faz tão parte levar trabalho para casa”, diz Lucas.

Parceria que Letícia descreve de forma engraçada. “Na composição, fazemos o processo inverso da reprodução: eu sou o esperma, vou até ele, que deixa a música quietinha, vai alimentando”, brinca.

(matéria publicada no jornal O Dia)

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