Mayer Hawthorne de volta ao Rio: entrevista

Quando, em janeiro do ano passado, Mayer Hawthorne se apresentou no Circo Voador, ainda não era tão conhecido no Brasil. No país abrindo shows de Amy Winehouse em outras cidades, ele fez um show tão memorável que até hoje é lembrado pelos fãs. Assim, não foi difícil trazer o cantor outra vez para o Rio, mais uma vez pelo projeto Queremos e no mesmo Circo, na sexta-feira.

“Um ano depois, ainda considero aquele o melhor show que já fizemos”,
jura Mayer. “Foi o público  mais talentoso para o qual nós já tocamos.
Os brasileiros realmente têm uma apreciação profunda pela música.
Sempre que eu pedi para cantarem junto, todo mundo cantou, e bem –
muitas vezes você pede para uma plateia cantar e ela simplesmente não
sabe cantar”, diverte-se.

Ele guarda outras boas lembranças da passagem pelo País. “Andei pela
praia e provei comida brasileira. Estou ansioso para voltar e comer a
comida brasileira de novo. Adorei aquele peixe, surubim. Foi uma das
minhas refeições preferidas de todos os tempos”, diz o cantor e
compositor americano, fã também dos nossos artistas.“Adoro música
brasileira. Tenho uma coleção grande de discos de vinil e muitos deles
brasileiros. Espero conseguir comprar mais agora. Adoro Os Cariocas,
Marcos Valle, Artur Verocai – qualquer coisa que ele tenha feito, seja
como arranjador, compositor, músico…”, enumera.

Ele quer aproveitar e filmar um clipe por aqui. “Não sei se você sabe,
mas é muito caro filmar no Brasil. Estamos tentando, espero que dê
certo. A ideia é filmar no Rio, quero captar o espírito do Brasil, é
tão bonito e único! Eu gosto no Rio é que ele é naturalmente bonito,
as cores das luzes da cidade… é engraçado que eu sou daltônico
(“cego para cores”, em inglês), mas até eu posso perceber”, garante.

Mayer traz a turnê de seu novo disco, ‘How Do You Do’, recém-lançado
por aqui, que marca sua ida para uma grande gravadora. “Na época do ‘A
Strange Arrengement’, recebi propostas de quase todas as grandes
gravadoras e declinei. Tinha medo de mudarem minha música e meu
estilo. Eu sou único, quero ser criativo.  Mas até agora estou me
sentindo confortável, eles entendem a minha visão da coisa”, garante
Mayer. “Já sinto o impacto de estar numa major, meu single já está no
top 3 das rádios. Mas tenho muito orgulho de onde vim e quero ter
certeza de que não vou perder os fãs que estavam comigo desde o
início”, frisa.

Integrante da onda de revival do soul dos anos 60 e 70, ele garante
que sua música é diferente.“Tem que ser divertida, esse é o item
número um. Não quero voltar para os bons velhos tempos, quero que os
novos tempos sejam bons. Eu quero fazer música para a minha geração.
Na época do soul dos anos 60 e 70 eu nem era nascido, não sei como as
pessoas se sentiam. Passamos por um período em que tudo o que se
queria era ter um hit, música descartável. As pessoas não pensavam:
‘Isso vai ser bom daqui a anos.’ Quero que as pessoas escutem minha
música daqui a 30 anos, como eu escuto música de 30 ou mais anos
atrás”, espera.

Ele considera o novo disco uma evolução.“A primeira coisa que dizem, é
que eu aprendi a cantar um pouco. Isso é diferente (risos)”, diz.
“O que definiu meu novo álbum foram outras influências, de todos os
tipos de música que eu amo. Tentei realmente incorporam os sons que eu
estava ouvindo: rock, jazz, R&B, heavy metal, a bossa nova
brasileira… Não é focado em soul e R&B. É um novo gênero, é Mayer
Hawthorne”, defende.

(essa é uma versão maior da entrevista, que saiu hoje editada no jornal O Dia)

2 Comments (+add yours?)

  1. Trackback: Pós-Pop
  2. Trackback: » Mayer de volta ao Circo Pós-Pop

Leave a Reply

Your email address will not be published. Required fields are marked *

Social Widgets powered by AB-WebLog.com.