Quinze anos sem Renato Russo

Tempo nada perdido

História do cantor será contada no filme ‘Somos Tão Jovens’, além de seu trabalho servir de inspiração para outros dois longas

Há exatos 15 anos a Legião Urbana, um dos grupos mais adorados da história do rock nacional, perdia seu vocalista e letrista, Renato Russo. O culto à banda, no entanto, resistiu ao tempo, atravessando diversas gerações: experimente puxar um dos sucessos do grupo e uma multidão é capaz de cantar junto em uníssono.

E essa trajetória tão impressionante pode ter partes reconstituídas a partir de três filmes: ‘Somos Tão Jovens’, de Antônio Carlos da Fontoura, cinebiografia de Renato; o documentário ‘Rock Brasília, Era de Ouro’, de Vladimir Carvalho, com depoimentos de artistas das principais bandas da época, inclusive o próprio vocalista da Legião, e o longa ‘Faroeste Caboclo’, de Renê Sampaio, inspirado na música de mesmo nome.

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“Quando vejo que se passaram 15 anos (da morte de Renato), a primeira coisa que eu penso é como tem tanto tempo. São 16 anos da última apresentação, é muito louco e estranho. Mas o que ficou, como a homenagem no Rock in Rio deixou claro, o que faz sentido, é como as canções até hoje continuam emocionando as pessoas”, afirma Dado Villa-Lobos, guitarrista da Legião. “Você acaba lembrando de muitas coisas. Isso tudo tem um sentido muito especial, e você também tem que saber lidar com a perda, com a morte, assim como se lida com a vida”, acredita.

TRÊS VEZES NO CINEMA
Previsto para meados de 2012, ‘Somos Tão Jovens’ traz Thiago Mendonça no papel de Renato, e João Pedro e Nicolau, filhos do guitarrista Dado Villa-Lobos e do baterista Marcelo Bonfá, respectivamente, interpretando os pais. “A primeira vez que eu fui no set, eles estavam recriando um show que a gente tinha organizado em cima de um caminhão, em uma lanchonete que não existe mais. Aquele contexto deu um arrepio”, conta Philippe Seabra, vocalista da Plebe Rude e consultor do longa.

Dado, Bonfá e a família de Renato também aprovaram o projeto. “A ideia do filme era do (produtor musical) Luiz Fernando Borges, grande amigo meu e do Renato. Rolou uma proximidade, quase cumplicidade, a gente leu o roteiro, aprovou. É uma versão bem realista, ainda que romantizada, da história”, afirma Dado.

Um dos aspectos mais comentados do longa é a atuação de Thiago Mendonça como Renato Russo. Ele e os atores que vivem os membros do Aborto Elétrico e Legião Urbana (as duas bandas de Renato) tiveram aulas com o diretor musical do longa, Carlos Trilha, que foi tecladista da Legião por seis anos. O resultado é que Thiago aprendeu a tocar baixo, violão e craviola, além de cantar: as gravações foram feitas durante a filmagem, não é playback.

“Fazer esse papel me aproximou do Renato, de mim, da música ”, resume Thiago. Trilha elogia a musicalidade do ator (“Ele cantou afinado desde a primeira vez, mostrou intimidade com o baixo desde o primeiro dia”) e conta que observou a evolução dele no papel.

“Um dia, o Thiago chegou diferente no estúdio. A partir dali, ele assumiu a liderança no grupo musical (formado para o filme). Eu até me confundia, chamava ele de Renato em vez de Thiago”, diz Trilha. O diretor Antônio Carlos da Fontoura é só elogios. “O desempenho de Thiago é mais do que surpreendente, é mágico. No filme, ele se move, fala, canta, toca e sente como Renato. Ele é Renato”, afirma.

Já ‘Rock Brasília, Época de Ouro’ (em cartaz no Festival do Rio) traz entrevistas com integrantes dos principais grupos do Distrito Federal nos anos 80, como Capital Inicial, Paralamas e Plebe Rude, entre outras, e imagens de época. “É a celebração de uma turma unida pela música, porque Brasília naquela época só tinha isso: amizade e música. A gente estava fisicamente isolado”, analisa Philippe Seabra.

A música ‘Faroeste Caboclo’ virou roteiro nas mãos de Marcos Bernstein e Victor Atherino: no longa, Fabrício Boliveira é o protagonista João de Santo Cristo, Ísis Valverde é a mocinha Maria Lúcia e Felipe Abib é o vilão Jeremias. “É uma história clássica, um ‘Romeu e Julieta’ do Brasil”, resume Dado. “Tenho a versão original dessa música e não mudaram nada: ela tem quase 10 minutos, sem refrão. É a prova de que dá para fugir do esquema do pop batido de dois minutos e meio”, diz Philippe.

(matéria minha publicada ontem no jornal O Dia)

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