Para onde irá essa noite

Novo clipe do Lucas Santtana, dirigido pelo querido Emílio Domingos.  Bela música, belo vídeo.

A faixa é parte do disco mais recente de Lucas, O Deus Que Devasta Mas Também Cura.

‘Somos como strippers: só nos divertimos se o público gosta’

Se só São Paulo vai ter uma edição do festival de música eletrônica Sónar, graças ao empenho dos fãs (através do projeto Queremos) o Rio vai poder ver algumas das atrações do evento. Entre elas, a dupla canadense Chromeo, que se apresenta sábado no Circo Voador.

“Espero que seja bom, a primeira vez que fomos ao Brasil (em 2010) não contou muito, era uma festa fechada”, conta o vocalista e guitarrista David Macklovitch, que forma o duo com Patrick Gemayel (teclado, sintetizadores e talk-box). “Os fãs brasileiros estão em contato com a gente pela Internet o tempo todo”, revela ele.

Do Brasil, ele se diz fã da música, do design de móveis e de Oscar Niemeyer. “Gostaria muito de conhecê-lo. Vocês brasileiros devem ter muito orgulho do fato do prédio da ONU em Nova York ter sido projetado por ele”, diz.

Entre os artistas da música daqui, destaca Os Tincoãs, grupo dos anos 60 e 70 que buscava inspiração nos terreiros de candomblé. “Existe um fetiche de colecionadores de vinil pela música brasileira dos anos 60 e 70. É muito interessante a mistura dos ritmos africanos com o jazz e o soul americanos, a música portuguesa e a bossa nova”, arrisca.

Ele conta que, no Brasil, vão tocar as canções mais conhecidas, e compara o trabalho no Chromeo ao de uma stripper. “Muitos músicos pensam na própria diversão. A gente quer prestar um serviço: só nos divertimos se o público gosta”.

(matéria publicada no jornal O Dia)

Um livro para se ler no escurinho do cinema

Quase três décadas de cobertura cinematográfica deram à jornalista Ana Maria Bahiana autoridade e conhecimento suficientes para escrever o livro ‘Como Ver Um Filme’ (ed. Nova Fronteira, 256 págs., R$ 39,90).

“Dou uma série de ferramentas para que o aproveitamento do filme seja maior. Ao descobrir o que o realizador quer passar, você se torna cúmplice de uma espécie de 3D mental”, explica Ana Maria.

O livro foi sendo feito simultaneamente a uma série de cursos ministrados por ela Brasil afora. “Não é um livro para cineastas ou teóricos. A ideia é formar plateias informadas, críticas e, com o curso, vi que o assunto interessava a pessoas dos mais diferentes perfis”, conta. “O cinema promove uma volta à nossa imaginação. Ele é tão forte que a Nigéria tem uma cena cinematográfica fortíssima e não tem salas de cinema. É tudo feito em VHS e projetado em lençóis.”

Vivendo desde 1987 em Los Angeles, Ana integra a Associação de Correspondentes Estrangeiros de Hollywood — que é responsável pela premiação do Globo de Ouro —, e pode conhecer melhor a mais poderosa indústria de cinema do mundo. “O que me interessa é o processo de feitura de um filme e me dediquei a isso”, diz.

“Queria entender o mecanismo financeiro. Em última análise, é ele que define o produto final. Não importa se é um filme de Hollywood ou um independente das Filipinas: você vai moldando o filme de acordo com a realidade financeira. É o mesmo dilema: ‘Tenho um filme para fazer e preciso arrumar dinheiro’”.

COMO SE PREPARAR PARA O FILME

INFORME-SE
“Leia sobre a produção de um filme antes de vê-lo. Procure compreender o que foi envolvido no processo de levar o projeto à tela”.

GÊNEROS
“Servem de código de compreensão tanto para realizadores como para nós, na sala escura”, descreve Ana. A saga ‘Harry Porter’, por exemplo, é classificada como Ação e Aventura, e seu personagem principal, definido como ‘Herói Extraordinário’. “Os melhores entre eles não são declaradamente heroicos desde o início, mas se parecem ilusoriamente com qualquer um de nós. Seus dotes excepcionais ocultam-se até o momento do desafio, o ‘chamado’ da jornada do herói”.

PRESTE ATENÇÃO
“Experimente ver cenas-chave de alguns filmes sem som. Que diferença você percebe? Ouça uma sequência conhecida com os olhos fechados e tente perceber as camadas de som que estão narrando e complementando as imagens”.

(matéria publicada no jornal O Dia)

Dois clássicos num dia triste

Morreu na manhã de hoje, aos 47 anos, em Nova York, Adam Yauch, o MCA do Beastie Boys. Ele sofria de câncer, descoberto em 2009.

O baixista e vocalista formou a banda em 1979 ao lado de Mike D (Michael Diamond), vocalista e baterista, e Ad-Rock (Adam Horovitz), vocalista e guitarrista. O grupo publicou um comunicado em seu site sobre a morte de MCA.

Não basta o Beastie Boys ser uma das melhores bandas de rap e ter os melhores clipes (alguns deles, dirigidos por MAC, sob o pseudônimo de Nathanial Hörnblowér), o grupo ainda é engajado – com o tempo, eles se tornaram feministas, por exemplo, e Adam tinha uma fundação em prol do Tibet, a Milarepa Fund.

A música “Suco de tangerina”, do CD instrumental The Mix-Up, foi composta em homenagem ao suco do BB Lanches, no Rio, que o trio provou quando esteve por aqui em 2006. Além disso, eles fizeram a faixa em homenagem à história de que Jorge Ben Jor teria tido um caso com Brigitte Bardot (boato, segundo Jorge). Assim como eles, também sou louca por esse suco e por Jorge Ben Jor. E por Beastie Boys. Fica aqui minha homenagem ao MCA. Obrigada por tudo.

Paul McCartney lança clipe com Johnny Depp e Natalie Portman

“My Valentine”, uma das duas únicas inéditas do disco Kisses from the Bottom, de Paul McCartney, acaba de ganhar clipe. Dirigido pelo próprio Paul, o vídeo, em preto-e-branco, traz os atores Johnny Depp e Natalie Portman interpretando a letra da música na linguagem dos sinais.

Novo do Spiritualized em streaming

A capa do CD

Sweet heart, sweet light fica disponível aqui só até sexta-feira.

Jack White, ‘Sixteen Saltines’

“Sixteen Saltines” é o primeiro clipe com uma música do disco solo do Jack White, Blunderbuss, que tem lançamento previsto pra 24 de abril. A introdução me lembrou “Popozuda Rock’n'Roll”, do DeFalla…

Liv Tyler cantando INXS

Ficou lindo o clipe da atriz cantando “Need you tonight” pra uma campanha da Givenchy.

A fantástica fábrica de sorvete

Quem entra na Vero Gelato Italiano, em Ipanema, logo vê uma televisão que mostra imagens da cozinha do local, onde o sorvete artesanal é preparado. Mas o melhor é que é possível acompanhar esse ‘Big Brother’ culinário de perto: a casa oferece aulas (R$ 160) que ensinam a fazer o sorvete do lugar (fresquíssimo, feito no dia), às terças e sextas-feiras, das 10h ao meio-dia. Fui conferir.

Tudo começa na feira: o italiano Andrea Panzacchi, um dos sócios, ajuda a escolher os ingredientes que serão usados na receita. “Dá para fazer de qualquer sabor. Uma aluna fez de pêra com gorgonzola”, contou. Escolhi uva e caju com gengibre, mistura aprovada.

Em seguida, a chef patissier Claudia Reggiani ensina o passo a passo. “O que congela no sorvete é a água. E o ‘inimigo’ da água é o açúcar, que não deixa congelar totalmente”, exemplifica. Uma máquina mede a quantidade de açúcar na fruta, para calcular quanto deve ser usado na receita. Além de sacarose (açúcar de cana), é necessário usar glucose (açúcar de milho), que dá a liga.
O caju foi descascado e a uva, triturada, passada pela peneira e misturada com água. Sempre com uma balança, adicionei o caju (que, de sabor mais marcante, foi usado em menor quantidade), o gengibre e o agar-agar, espessante à base de algas.

O último passo é a máquina que resfria e bate a massa, transformando-a no sorvete. Claudia explica como adaptar a receita para fazer em casa. Logo o sorvete está pronto e aprovado: os alunos levam um litro dele para casa e ainda provam os sabores da loja. A Vero fica na rua Visconde de Pirajá, 260, Ipanema (3497-8754).

(matéria publicada no jornal O Dia)

O rock alternativo nos anos 90

Numa era pré-explosão da Internet, as bandas de rock alternativo do Rio se viravam como podiam para se manter e se divulgar nos anos 90. Ele mesmo integrante de um grupo daquela época, o jornalista e músico Leonardo Panço lança ‘Esporro’ (ed. Tamborete/Sub Folk/Jovens Escribas, 256 págs., R$ 30).

“Queria contar a história do underground que eu vivi mais intensamente, o começo dos anos 90 no Rio de Janeiro. Quando eu era bem jovem, com vários sonhos como guitarrista do Soutien Xiita. Aí, acabei sentando e escrevendo um monte de histórias. Depois, entrevistei muita gente das bandas”, explica Panço, que depois integrou o Jason.

Nomes como Marcelo D2, Zumbi do Mato, Poindexter, Beach Lizards, Soutien Xiita, MCs HCs, Piu Piu e Anarchy Solid Sound fazem parte dessa história e estão no livro, além de filipetas, fotos, cartazes, capas das fitas demo e CDs.

Panço escreveu quase tudo entre 1997 e 1998, mas o livro — com diagramação e capa de Flavio Flock, que nos anos 90 era baixista do Poindexter — sempre ficava para depois. Ele acabou lançando dois outros antes: ‘Jason 2001: Uma Odisseia na Europa’ e ‘Caras Dessa Idade Já Não Leem Manuais’.

É claro que ele lembra a época com saudade. “Eu gostava da minha própria energia de acreditar que tudo era possível. A inocência te move”, analisa o autor. “E, em relação ao rock, eu acho que era mais misturadão”, compara.

O livro pode ser encontrado em lojas como a Cucaracha, em Ipanema, ou no site www.mmrecords.com.br

(matéria publicada no jornal O Dia)

 

Previous Older Entries